sábado, 26 de junho de 2010

Prô.ôlho da rua...

Senhor, por favor, mantenha-se com a mesma postura que enaltece a curiosidade do menino escondido por detrás do muro. Recuse o grafite, o piche, um rabisco qualquer ou qualquer figura que possa deturpar seu mundo.
Conserve seus olhos fixados pelo buraco da fechadura, observando, de cara na porta, o que realmente importa, o que raramente muda.
E caso batam bem forte, diga que tem gente, mas seja inteligente, só confesse que perdeu a chave quando ninguém mais estiver presente.
E sozinho, finalmente, ponha-se em busca, comece a procurar... reserve bastante água, inspire profundamente, acenda um fósforo, caia de joelhos na terra e se oriente, ninguém disse que ia ser fácil, pois o impossível é atraente.
Senhora, sem pavor, mecha-se do lugar, descruze as pernas, borre a maquiagem, pois não há mais maldade nesse seu olhar.
O que foi perdido? Em meio ao labirinto, acenda as luzes, dê a pista da charada, ria da piada, ache graça de tudo ou chore por nada, meu dialeto é visceral, meu amor é bandido e meu espírito carnal.
Tenho medo da verdade, do perigo da revelação, ao barulho do silencio, prefiro raio e trovão.
Senhoras e senhores, o baile de máscaras chegou ao fim, não tem mais sentido continuar a fingir, o brega está na moda, o louco tem a chave do hospício, conto contigo, mas não conte comigo, dou adeus a esse asilo de novas idéias, a insensatez do velho burguês, a incoerência contida no seu português.
Confesso que meu relógio está confuso, anti-horário, sem a corda e o parafuso. Me livrei desse fardo, sou atemporal, versátil e banal, me chame de tudo, me confundo em seus rótulos, suas marcas, seus modos, mas nunca pequei por ser superficial, já te disso e repito, posso ter medo da verdade, mas que seja profunda, derrube os muros, levante as saias das meninas, seja turbulenta, abale estruturas de forma amena.
Se dependesse do momento, não haveria final, admiro o infinito, fecho os olhos e vejo além do normal, meu coração aperta, escorre amor, que corroe, amor fatal, a chave que abre porteiras de gados marcados, o código sem fronteiras, a solução de qualquer charada, a verdade incrustada na alma espancada, o contraponto que fortalece a nossa caminhada para o destino de utopias que se revela nos sonhos, mas que quando acordamos a música aumenta, o embalo esquenta, a mentira envenena e o figurino que representa o melodrama, que pena, cai tão bem que sempre nos desorienta.

domingo, 23 de maio de 2010

.¡.Ow Lucy.¡.

Decido-me sobre os teus retratos mal revelados se hei de pisar em terras em que talvez um dia não queira mais retornar.
Sobre casas mal projetadas, insinuo meus pés através de um cenário imaginário que eu mesma criei.
Foram todas, pouco a pouco, tomando cores, tantas cores, confesso que me orgulho do plano, mas quando vejo que te tornou a pensar tão plano, que virei ao contrário, do cubo ao quadrado, e ainda assim não te achei...
Vou dançar uma bossa então, em homenagem ao carinho da recordação, desculpa, roubei teu bordão, mas é assim como estou, embriagada desse inominável prazer que me deixo...
Ah me deixo, de braços dados aos sorrisos, quando ouço essa gaita ao fundo, hum... como descrever um sabor?
E de uma bola de chiclete a estourar deixo–me ao ar...
Esse é o momento, o instante de voar, doar-se ao "Maximo", reconhecer teus fracassos, lançar-se ao aço, ao concreto, e que seja ao plástico, não importa isso sempre acaba em protesto.
É como registrar um devaneio, essa sua foto de lente embaçada, eu começo a enxergar meio às claras, com uma pitada de lucidez, que vivi a chamada efêmera sensação do gosto, debaixo da língua, foi se tornando pouco a pouco e disse finalmente para o que veio.
E eu sempre encontro o freio, só pela aventura de pegar o atalho, ou talvez o caminho encantado, onde alguém queira se apresentar e contar a sua própria história, onde a placa indica: Seja personagem do que sempre sonhara, nunca perca o fio da meada...comece sempre outra vez.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Relaxa na prosa

E que tal uma rapidinha?
Não adianta correr, ou se arrastar devagar, parece incrível, mas demora o mesmo tempo pra chegar lá.
Ninguém percebe? É tão difícil assim? Será que não é obvio que a busca não é pelo fim?
Assim eu sou forçada a ser piegas, redundante, prolixa, infame.
Quero cuspir, escancarar, ser intransigente, quero ver alguém me calar.
Prefiro cair e me ralar, expor a pele, os vasos, os nervos, os ascos.
Prefiro que me exponham como moldura de concreto a ser discreto, olho no olho, mordendo a língua, dedo do meio, vou roubar teu auto-falante e promover um manifesto lancinante.
O fim é teu objetivo? Já cogitou a hipótese de não alcançar? Então seja criativo e arrume um jeito de viver o meio, o caminho, o constante, o desafio, sentir o que está sendo vivido, entre ilusões e delírios, tenha o real para não se perder no ideal.

Na moral, e tenho dito!

Visitar-me-á?

Onde mora toda essa dor?

Talvez um dia possa me fazer um convite

Numa visita, me receber com um chá... é só um palpite.

Abro as portas, então, encontro-a num sótão, ou será um porão?

Resiste em me mostrar seu rosto, face crua esculpida em desgosto

Não fede nem cheira, sem sabor, é cega como uma mula, tapada e um tanto surda, só sente a picada do próprio veneno, passa horas a se consumir por dentro.

E quando cansa da solidão, se põe a invadir meu coração, cantarolando baixinho uma fúnebre canção, chega de mansinho, se aloja e decora meu peito à sua moda.

É dor cheia de vida, procria a morte e a alforria, faz do meu coração uma coação, apertado, bate todo acelerado. Uma disritmia que inveja o maestro, numa sinfonia de choro da denúncia do seqüestro, a dor é manifesto.

Ela acusa o roubo, a perda, o louco, a deixa. A dor é um processo vital, a morte é necessária para compor um final. O ciclo é eterno, meu espírito é infinito, a dor pode ser feia, mas deixa o poema bonito.

Uma alma partida, destroçada, não é de longe o significado do vazio, pelo contrário, demonstra a vontade de se preencher, catar os cacos e se reerguer, sentir o sentido do que é viver, como num ciclo, matar a dor para renascer.

Não gosto de me contradizer, mas essa dor só existe porque não há amor, é a falta de luz do vazio em que me deixou. É a esperança, a casa sem mobília, prestes a receber visita, um café, talvez, tenho fé dessa vez.

Sorrio e mostro o rosto, é a dor saindo por baixo, fazendo cócegas, provocando o gozo...

Ouço uma canção, com rimas e clichês, é a mais bela colonização do meu eu, acelero, paro, não evito, abro as janelas e basculantes, desejo esse amor todos os instantes.

Invada meu coração, meta o pé na porta, me ressuscite, pois já estou morta, prestes a compor um final, meu ciclo é eterno, meu espírito vital.

sábado, 3 de abril de 2010

Palavreando

Percorro cada extremo do teclado, toco levemente as teclas, hesito em apertá-las. Toda letra abre um leque do que será escrito, começo com p, pois hoje meu o peito foi partido.

P
esco palavras que pairam no ar, falo do nada, falo do que nunca sonhei falar, falo do que já foi falado, e descubro que falo até de objetos fálicos, mas isso deixo pra lá.

P
ara manter o ritmo não paro de palavrear, palavras são fios que entrelaçam pensamentos, pontuam sentimentos, partilham alguns momentos ... seja dando uma palavrinha ou cuspindo palavrão, não importa o que seja dito, mas que o dito se emoldure de emoção.

P
ermaneço parado na esquina dos desavisados, aguardando uma nova razão que freie a compulsão de falar em vão. E daí surge a nova letra, teimosa, enigmática, prestes a ser re- significada, implorando seu cultivo, doidinha pra ser atriz de um outro livro.

P
e-pe-perae, seu caractere aproveitador, me usando a seu pleno favor, não sou cobaia da sua pobre dor, cansei de escrever o “nonsense” todo que você ditou.

Pronto, não perdi o ritmo, o desfecho é todo seu. Eu escolhi um verbo ou

um pronome, ou que tal um versinho bem infame... mas não, o dígito também é símbolo de puro encanto, começou com p e quis terminar com .


quinta-feira, 1 de abril de 2010

Sobre saltos

Enfim descobri um novo jeito para criar, sem formatações, sem rejeições.
Quero apenas a falta de estilo num sobressalto efusivo.
Olhos que vibram assim que anunciam o dia em que me tomarão pelos braços e me farão mulher digna de abrir-me à alma e sonhar, entre tantos errantes com princípios perdidos, eis a única saída pela qual nunca irão me resgatar.
Desprezo a cobertura, só desejo o recheio, o que se perde no meio, se esconde faceiro, dando o gosto que no gosto jaz.
Prazer que derrete na saliva, mesclada na língua que prova cada descoberta como única, infinda, face a face das papilas gustativas que escancaram a gengiva quando modelam o jeito da palavra errar.
E me alegro inteira, rio do curso do rio e lhe admiro imensamente quando desemboca no mar...sem medo de se libertar perante a imensidão, o que também é perda, mas é só pra se encontrar.
É esvaziar para tornar completo. Que o processo envolva amor ou ódio, prezo que se reconheça através das próprias percepções que somos feitos de carne, não de concreto, e que por isso temos peito aberto pra imensidão que nos oferece o pão, mas que vira e mexe tornam a pisá-lo sem oferecer a mão.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Um divã aflito

E de repente meu mundo pára de rodar, minha rotina se esfarrapa toda num mesmo lugar, meu pedestal desmancha diante de um olhar e saio do sério na tentativa de me acalmar.
Tudo acontece quando há paz, silêncio demais, pensamentos que tocam num seio que não alimentará jamais.
Desejos na falta de ensejos para tais receios, um tropeço diante de um argumento para tal momento, uma senha decifrada para tal charada, um tormento insistente sem qualquer precedente.
Bati a porta do cubículo mal iluminado, minhas pupilas dilatadas confessavam o que ninguém mais suportava, não quero entender porque nesse sonho insistente alguém sempre quer saber o que não se permite prever. Quer ler minha mente, tenha sangue quente, estômago forte, senão nem tente.
Construirei um novo sentido para a tolerância, talvez em lugar de um cérebro coubesse melhor um triturador para toda essa ganância. O que se esconde e ninguém quer ver, o que te abraça à noite e você tenta esquecer, a inocente vontade de se coçar quando na verdade o intuito é se auto flagelar, se submeter a um simples não quando a verdade roga palavras de baixo calão com uma pitada de maldição.
Silêncio demais, o ventilador e as teclas do computador me tiram a paz, existe alguém roubando meus pensamentos, eu já li tudo o que ando escrevendo. Será que eu me traí? Vendi-me barato por aí? Ouço-me rindo atrás de mim!
Ando preocupado, há roupas de outras pessoas dentro do armário, o pior...me conhecem com tamanha sensatez, camisa p, calça 40, tênis 36.
O que me trouxe até aqui, quem fez as escolhas por mim?
Meu psicanalista diz que me colocará no eixo, apenas fecho os olhos, conto até três e tento um novo desfecho.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Dedicado a quem nunca lerá

Chega de fazer barulho, meu ouvidos estão roucos, meu orgulho perdeu o juízo, minhas pernas querem correr pra ir te ver, doce orgasmo num amargo amanhecer.
E quando eu penso que meus dedos te encontraram, você me distrai com um sopro na nuca, desejando o desespero de vencer a luta , tão nua, tão pura, reluzindo nos olhos pecados mofados de uma criatura, sem pé nem cabeça, alma transparente, volátil, demente, que mente e nem sente meus pés quentes... a te tocar por debaixo do edredom, na tentativa de expressar que nenhum mal nos abaterá, e que amar é apenas mais um dom.
O toque certeiro é suficiente para te desmanchar por inteiro, sintonia fina, descrever o que se sente é desafio da mais alta categoria da espécie dos ilusionistas, sumo dentro de ti, apareço quando sorri, me detenho em te dar prazer, seguro o tempo para nunca mais esquecer.
Tento fazer uma música, eternizar um momento que eriça pêlos, fazendo nascer a energia que não tem mais onde caber, dissipada num grito, prazer e carícias, te encontro na esquina da vida, levando os pensamentos pra passear num leve flutuar e a escarnecer do poema que fiz pra você saber que amar não é apenas sofrer.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Nem queira...

Nem queira saber como tudo começou!

- Gosto da objetividade e da simplicidade... e ponto final.
- Não tenho muita escolha se você não alcança minha loucura.
- Chego lá, dou voltas, encontro o que necessito e retorno. Trago apenas o que muda, não me afeto com as estruturas.
- Minha estrutura não muda, devaneios são pilastras, não entro em consenso, existe um fim, mas o meio é turbulento.
- Planos concretos devem ser traçados, você escolhe apenas a direção da massa, o caminho protegido, o gosto do desgosto e do castigo deve ser banido.
- Respeito os pessimistas, a ordem natural é manipulada por quem guia, a dor continua devendo ser sentida, existo nela e ela me aprecia.
- Ladainhas em meu ouvido, não tenho tempo, só consumo o tempero da vida, ela é curta, durmo pouco, sou in, olho pro céu apenas pra ver se já posso sair.
- Tentarei não entrar em detalhes, faço esforço pra resumir o que se passa na estrada dos acontecimentos que ficam no acostamento, lá existe o que de fato se vive, o verdadeiro momento.
- Você é como eu, num instante, num dado momento algo nos modificou, vou sendo, vivo o momento sempre atento, não gasto palavras ao relento.
- Fique por aí, reprima seus instintos, finja que sente, mas não atire seu verbo contra quem range os dentes tomado de insanidade, mente dormente, o ópio que a civilização oferece a toda essa gente e a gente acaba quebrando a corrente.
- Como eu, como você, não pregue fantasias de livros que nem mesmo crê. Influencio-me apenas ao ler seus lábios pequeninos de incerteza, sem ganância, apenas fraqueza.
- É apenas um modo de enxergar a vida, estamos todos certos, temos a mesma ferida, somos células do mesmo organismo, e pra mantê-lo vivo precisamos apenas caminharmos unidos, fugindo da névoa e encarando nosso próprio abismo.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Em sá cada.

Lá vai o saco a seguir o vento por onde nem ele mesmo sabe o que lhe espera quando a tempestade cessar e o tormento o fizer pairar no ar.

Sei que ele gosta de ser livre pra voar, mas quando o menino corria com ele pra lá e pra cá, seguro por uma linha, deixava-se rodopiar e ousava o impressionar com acrobacias que só um saco branco sabe dar.

O que esperar então, já cansado de se reciclar em vão, foge do chão e lá de cima se põe a observar estupefato estúpidos fatos que nem na memória merecem ficar.

E quando fica repleto, de saco cheio se torna completo, encolhe as alças pra não se prender, seu desejo é desapego, pois o saco só quer se perder.

Ultrapassa passarinho, muriçoca e o próprio vento, viaja só e em silêncio, driblando galhos e balões.

Imagina estar lá embaixo e logo sente o chorume, o choro calado e logo assume que a melancolia presente no sorriso dessa gente é fruto do que não se entende, restando a fruta sem semente e a boca sem dente.

Se apressa em alcançar o que pouco interessa, acaricia gentilmente braços e pernas, ri dos borburinhos falados por quem crê num futuro de utopias, inveja o cego e seu cão guia.

Persevera em busca da felicidade, se doa de amor, mas sabe que na verdade, é um saco sem maldade, de grande maleabilidade e pavor, que transporta toda falta de criatividade de seu criador.

A sacola não entende que não deve refletir por aí, idéias não lhe pertencem, ela se confunde, não sabe se medita ou se entorpece a mente.

Maldita sacola teimosa, toma teu rumo e vê se decola, já basta eu nesse mundo de idas e voltas, vasculhando as pistas espalhadas nas rimas de uma história divina, tomo cuidado com ervas daninhas, dou pirueta, ouço o trovão, páro no tempo e percebo que sobram apenas rugas nas mãos.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Pré-concepto

Só pra deixar claro: Não tenho certeza, apenas precipito meu medo ou meu desejo ... fingindo ter firmeza.
Humildemente abro meu coração, minha mente se cala, pois a razão não escancara o que se esconde entre as palavras, driblando a leitura e inibindo a emoção.
Estrago o verso ainda não construído, mas não me iludo comigo, sempre existiu segunda intenção em ser alguém que presta atenção nesse vazio preenchido de palavras de baixo calão.
E posso continuar a despejar meus delírios oníricos que não têm incumbência de fazer sentido, mesmo que seja minha vontade reprimida, ah... que pena, essa já foi tolhida.
Prefiro então continuar suando, pegajosa, esqueço o que penso e sinto o vento que me aborda, dou valor ao que nem ao menos se vê, desligo o ruído do som e da TV, ruído da mente que me desafia a pensar o que sou realmente.
Aqui jaz o aborto do pseudo-poema, ah...que pena, cale a boca, nem valia a pena.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

HagaxIVê.

Corro pra abarcar o mundo com meus feitos sem freios e paro no meio do caminho em busca de carinho que irá consertar os defeitos que limitam o meu jeito.
Junto faíscas que vão consumir o que se perdeu devido ao incêndio que se deu na mais brusca beleza do caos, foi mal, retiro o que disse, volto atrás com minha tolice.
Gosto do véu cobrindo seu rosto, detalhe do queixo sem sinais, quem sabe um dia eu enriqueça e você se esqueça que quem gira o mundo sabe bem o que faz.
Esquenta a boca pra me beijar, se torne frio assim que o trem vier me buscar, parto para o lugar que te falei, não ouse pisar nas minhas terras com suas leis.
Rogo-te toda a praga que despacharam na esquina caso adivinhar o que eu penso ao meu respeito, fico sem jeito, faço careta pro espelho, mas você nem liga, já teve sua alma vendida, então, seja bem vinda, meu universo te anuncia. Mas venha sozinha.
Chega de rima, a hipocrisia foge do padrão, o vôo da andorinha já não tem mais razão nesse clima, segura na mão... e sinta os dedos ansiando por toda dor que há sob as unhas quebradas, derrotadas por uma luta sem causa.
Termino sem nexo entre os pensamentos que sussurram em mim, tanto empenho não me garante o talento, mas acredito na matemática que não prova porque quando me somo aos apelos, me divido e quebro ao meio, quando me multiplico a ti, você parte sem ter aonde ir...sem ter mais porque sorrir...tratando de mudar o mundo a sua volta, mansamente sem revolta, sem contar comigo, nem na matemática na qual acredito.
Fica feio voltar atrás, descarto as noticias frescas da boca das bestas pois nada disso me satisfaz, então pego o guarda chuva e saio pra rua ver o que de novo há, percebo que os ratos se escondem pois quando o céu responde, as crianças dão a luz a outro mistério que paira no ar.
Trago o hálito da revelação tingida perante os portões fechados em sabedoria que dão prazer aos mais egoístas da velha geração, cansados de seus próprios sermões, agora brincam do que o mestre mandar, na melodia do tom que tocar.
Olho pro chapéu desequilibrado no cabide e vejo nitidamente um homem falido vestido sem grife, apanhando o lixo que cheira a palpite, na certeza que a escolha do destino a ser seguido apenas o agride.
E fere os seus ossos corroídos de ódio por não ter conhecido o pai que deu a luz pelos portais da grande obra que projetamos destruir sem demora sorrindo de dia e chorando ao dormir...sem memória, garantindo o pão e pedindo perdão, sem vitória, perdendo a batalha e ficando na mão...sem melhora, ajoelhando no milho ao som do refrão, sem discórdia, sem compromisso nem obrigação.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Está estático

Um mergulho serviu pra eu me recompor e no fundo daquilo que me é estranho, havia esquecimento, acalento, desinteresse peculiar... prendi o ar e tornei a afundar. É incrível ver o mundo tornar-se novo por alguns segundos quando fecho o olho... me afogaria para fazer durar a sensação de não encontrar o chão, driblando a gravidade e todas as teorias que fogem à realidade. O sal me envenena, mas sem problema, quero me esvair de forma lenta, teu ar também não vale a pena, que dilema! Nem quero citar as bolhas, mas se não as cito, as bolhinhas não deixam de escapar, tolinhas, não duram o tempo de serem pegas sob o mar, sobem velozes, saem de mim, produzo simples bolhinhas, gostaria que fosse sempre assim...mas o mar não tem fim...e eu sim. Ondas afrontam o céu noite e dia, movimento explicado por alguém que um dia ouvi com desdém... não me importo com o pré-elementar, fui feita com limites preciosos que me permitem apenas experimentar, deitar e rolar...flutuar, nadar, boiar. Respeito o tempo, a relatividade, as hipóteses e os teoremas, mas meu relógio funciona de acordo com as estações, pertenço ao instante lunar. Crio diferentes personalidades, me guio pelas árvores que vejo através do portão... meu roteiro não permite o não, dou frutos, amadureço, quando as folhas caem, aí que cresco, renovo a missão, tenho um novo ciclo e me batizo, vou à praia sem destino, me perco no rito e rezo baixinho "obrigada por não ter conhecimento de nada, só isso me basta, meus seis sentidos para serem sentidos coberto de amor a ser dado e recebido ... amem"

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

...

Peno por ser sólido, vibro como tolo ao ver os destroços, fragmentos apenas fragmentos me recompõem ao infinito que é ter uma alma em busca do chamado da vida atemporal, imoral e imortal


...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

.¿.

E revelam-se a mim todas as suas caras, personagens de uma mera imagem
Que me fazem acreditar num belo selvagem a beira do mar, sem espadas, sem molduras, olhos de insegurança, mas com uma incrível doçura.
O horizonte se fecha, o ambiente se preenche, flutuo ameno na existência que me traz ao sentido rudimentar à medida que me leva ao fundo do mar.
Deixam de existir as explicações dos atos, não pensando no não imaginado, restam apenas atos falhos encenados em fatos.
Mergulho no lago, no poço; procuro a essência, a inocência, suprimo o que há em mim, mas não tem fim... o poço não tem fim.
E mais uma vez busco as velhas palavras que te desconcertam enquanto você finge que não percebe, mas eu sei, elas te acertam.
Transformo um sacrifício em flor, mas quando percebo, sou tão eu, que ela me desabrochou exalando amor, ansiando para que eu descobrisse a verdade do que sou.
Sou o feio selvagem à beira do precipício, armado, emoldurado... olhos vidrados, estou a um fio, então crio juízo.
A próxima dose me estarrece, entala no talo, não sobe não desce.
Junto suas preces no canto do teto, invado o que foi dito e o que foi falado, não tenho asas, estou pelado e fui flagrado no ato.
Espirro o que de mim sobrou e pela fresta vejo que a cerimônia apenas começou, dirijo-me ao meu lugar e aonde quer eu vá, minha sombra se põe a vagar em círculos, caindo tonta, feliz a chorar.
E a cantar, cantar, cantarola sem parar, disfarçando o sotaque que identificaria fácil um ser lunar a vagar e a cantarolar em qualquer lugar.


domingo, 27 de dezembro de 2009

Call the police man

Reproduzo-me em tua história, desvaneço-me nas marcas que deixo em teu peito

Reconheço em teu reflexo a minha face de amargo receio

Deixada pela minha alma que corria de si mesma rumo ao cheiro de beijo

Aquele que exala, tão fugaz, mas que inalado, apenas desejo...

de fugir do que sou, falar que não sou nada, que não ouço nem vejo.

Desrespeito teu sorriso, ignoro teu limite, eu os ditei,

Então não pense, não hesite

Nem me evite, só aceite o convite

O que te separa de mim nem ao menos existe

Assim que soa o tambor, me perco no que sou,

Derreto, sem jeito, não mereço essa dor

que pulsa pulsa sem dizer ao menos por favor

Me tome pra ti, me dome sem alardes, sem disfarces

Apenas goze em ser meu, pois na verdade quem te fere

...

...

...

SOU EU



sábado, 26 de dezembro de 2009

Aqui jazz

Tateio cada parte do teu mundo, entre muros e rachaduras, às vezes tão duras, eu me pergunto até quando dura.


Essa loucura sem censura que me fissura e me mistura, mas você não tem postura e nunca me dá cobertura.


Logo no começo não te reconheço, remexo, remexo e continuo no eixo…


Te viro, reviro e revivo, mas num suspiro eu piro, não consigo que venha comigo.


Penso em me largar nessa essência, te peço clemência pela minha indolência, já não estamos mais na adolescência, agora temos vivência.


Mas parece que é feito de aço, que endureceu no mormaço desse mundo arcaico que já deu no saco.


Não consigo mais viver de retalhos, quero pés descalços, meu mundo fantástico, figurando no céu seus passos tão falhos ao mesmo tempo que te observo de soslaio.


Recuperando o fôlego, meditei fechando o olho, imaginei flutuar sobre o todo, mas tudo era tão torto que caí pelo poço.



sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Hoje sorrirei mais uma vez...

Com licença, quanto vale o teu silêncio?

Deve bancar dignamente

tuas imprescindíveis futilidades e um cão mui amigo.

Velho tolo de botas enceradas e anel de ouro!

Teu silêncio te cobra e tua dívida,

oh meu (sado) véio,

pagarás tua dívida adi eterno...

Sei que foste domesticado desde o berço,

mas não eximirá tua culpa.

Velho tolo de bigode engomado e bengala de aço!

Confiaram a ti palavras engavetadas,

idéias de vanguarda

e atos brutalizados...

Erga-te, meu (maso) véio,

largue a taça desse veneno,

resgate tua bandeira

e questione a ti mesmo.

Rasga-te, mutila-te e lança-te do trampolim embusteiro;

da relativista corda bamba da razão ..............

para a RAZÃO (lê-se “acorda, véio”).



Aguardo-te lá embaixo.


Palavras en polpa



Sentir o insensível
Tocar o intocável
Ver o invisível
Como água viva, inalar o corrosivo
Meio turvo, iluminado não combina.
Se realizo seu desejo, ninguém desafina
Frio figura o tempo restante que não espera a fuga
Corro contra o vento, mas não recordo qual música
que inspira sem inspiração, somente consome o que não tem explicação.
Tentaram explicar o mundo, mas só ouviu quem era surdo
protestou quem era mudo e rezou quem crê no absurdo.
Listas de imensurável estilo, estigmatizado do primeiro ao último capítulo
Formas ilimitadas, poupo palavras porque quem fala demais não ampara
Almas frustradas com tanta gentileza, tossindo licenças poéticas, proféticas, rasgando beleza, com certeza.
Filosofo pureza, onde o ontem nunca supera o amanhã de um homem,
mas se não é o que eu vejo, deixo de ser e me rastejo
Cada palavra constrói um pensamento, mesmo que seja as pedras que eu mexo e que o que eu penso seja apenas um tormento.



Espectadores